Ilha da Madeira... a beleza natural do Funchal











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A natureza é, de facto, o ponto forte da Madeira... até nas zonas urbanas.
A ida ao Monte foi uma boa experiência.
Começou no centro histórico da cidade do Funchal, seguimos pela Rua de Santa Maria, um verdadeiro museu através do projeto “Arte de Portas Abertas”, em que as suas portas foram pintadas por inúmeros artistas, para uma subida no teleférico... 550m de percurso.




Aos poucos o ambiente da cidade é substituído por encostas verdejantes, muitas bananeiras, montes e vales, numa viagem que tem a baia do Funchal e o Oceano Atlântico como pano de fundo.

Passeámos numa frescura ambiental muito agradável, no jardim junto à igreja... um local coberto por muitas espécies de plantas da ilha, outras exóticas e muitas árvores centenárias.
Depois, houve um momento de paz na Igreja de Nossa Senhora do Monte. Ali se encontra sepultado o Imperador Carlos I da Áustria, o último titular do Imperio Austro-húngaro (heranças... da segunda guerra mundial).
De regresso, a descida, para alguns, fez-se nos carros de cesto, manobrados por homens pela ingreme encosta, quase até ao centro da cidade.







Eira do Serrado
Outro local com ar puro e vistas deslumbrantes para as montanhas. Um microclima, que permite aos habitantes a produção de castanha e cereja... incluem a castanha em quase tudo o que pode ser feito, licores, bolos, pudins e sopas... comprovado ao almoço.
O miradouro situado a uma altitude de 1094 m, oferece um deslumbrante panorama sobre as montanhas e a vila do Curral das Freiras, situada no coração da Ilha onde no século XVI as Freiras se refugiavam dos Piratas, que frequentemente atacavam a Madeira.
O almoço foi no Restaurante Eira do Serrado. A sopa de castanha estava uma delícia, assim como o frango à Eira do Serrado. Um serviço muito profissional.




Miradouro do Pico dos Barcelos
A nossa última paragem, antes do regresso ao hotel.
A 355 metros acima do nível do mar desfruta-se de uma paisagem inesquecível sobre a cidade do Funchal e com as ilhas Desertas lá ao fundo.


Carlos Alberto Santos









Câmara de Lobos
No segundo dia, começámos pela primeira povoação da Madeira criada pelo próprio Gonçalves Zarco.
O nome provém do facto de, na época da descoberta da ilha, ter sido avistado uma grande quantidade de lobos-marinhos na enseada. Os pescadores, especializaram-se a pescar o peixe-espada preto. Os barcos típicos são chamados de "os Xavelhas".
Do miradouro ou Ilhéu de Câmara de Lobos, um rochedo sobranceiro ao mar que se assemelha a uma ilha (hoje um espaço cultural), tem-se uma vista magnífica.



Cabo Girão
Por estar a 580 metros acima do nível do mar, é considerado o promontório mais alto da Europa e o segundo mais alto do mundo.
A plataforma suspensa, com uma grelha em aço e vidro transparente, proporciona vistas incríveis do oceano e para o Funchal. Por baixo , encontram-se as fajãs... áreas agrícolas à beira-mar.
A designação de Cabo Girão também se deve a Gonçalves Zarco... era um ponto de referência para as caravelas.




Ribeira Brava
O próprio nome e as notícias sugerem as piores razões: - A vila fica situada junto ao mar na foz de uma ribeira que desce pelas encostas escarpadas do interior montanhoso.






Porto Moniz
Depois de uma breve passagem por Ponta do Sol, pela Calheta, com a sua praia de areia trazida do deserto africano, e pelo planalto do Paul da Serra, descemos a costa norte entre vistas excelentes para o Oceano Atlântico e para as piscinas naturais da Vila de Porto Moniz.
Almoçámos no Restaurante Orca. O serviço era lento com empregados aparentemente inadaptados... no entanto, os bifes de atum salvaram as honras da casa, estavam muito bons e com "alma". Recomendo, mas precisam de paciência para almoçar... duas horas não devem chegar.
A seguir, ainda deu para uma visita relâmpago à vila.
Depois, seguimos até São Vicente por uma recuperada estrada, entre mar à esquerda e altas escarpas à direita.




Miradouro da Encumeada
No regresso ao hotel, parámos no miradouro da Encumeada para uma visão panorâmica das duas vertentes da ilha... a pouca visibilidade, o estado de abandono do local e a quantidade de silvas e arbustos não facilitaram as nossas intenções.

Carlos Alberto Santos

Depois de ano e meio de receios e confinamentos, aconteceu... a nossa viagem anual, quase como os sabores de um qualquer bolo de aniversário.
O certificado de vacinação com as duas doses e a inscrição na app Madeirasafe foram o nosso passaporte.
Aterrámos cedo na Ilha da Madeira, a “Pérola do Atlântico”.
O corredor verde-escuro no aeroporto Cristiano Ronaldo, proporcionou o livre acesso ao exterior e à equipa de técnicos, que rapidamente confirmaram o que já estava validado no telemóvel.
Durante o voo... senti-me como uma criança feliz e livre num parque de diversões. Afinal, ia em direção à terra das flores, das levadas, do bolo do caco e da poncha.
Esperava-nos um sol radiante, um vento quente e um cheirinho a mar.
No autocarro, já a caminho da nossa primeira paragem no Machico, dizia-nos com orgulho, Darlene Perestrelo, guia oficial: - arregalem os olhos e sintam os aromas... até trespassam a máscara.
Machico
Depois de um reconfortante café na primeira capital da ilha, o passeio foi livre na cidade com a história da redescoberta em 1419, pelos navegadores João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo.
O ponto de encontro foi na antiga igreja " Capela dos Milagres".




Ponta de São Lourenço
Chegados ao extremo Este da ilha, a paisagem era agreste e árida... plantas rasteiras e ausência de árvores. O local, de encostas rochosas escarpadas é misteriosamente recortada numa reserva natural muito bela e de excelência, pelas vistas maravilhosas sobre o oceano, para as ilhas selvagens e, com sorte, para a Ilha do Porto Santo (não foi o nosso caso)... não há fotografias que façam justiça aos horizontes.

Porto da Cruz
Depois de uma breve olhadela no Museu do Engenho Velho, repleto de imagens, ferramentas e maquinaria, seguimos à beira mar até ao centro da vila, entre momentos muito agradáveis.
O anúncio, no bar - A fragateira (?) - "Coma uma sandes do famoso gaiado seco", com a premiada Poncha da Praia da Alagoa… deixou-me com água na boca.



Santana
É a segunda maior cidade na Ilha da Madeira. As poucas casas antigas, ainda se veem… estão rodeadas de bonitos jardins, pintadas com cores vivas e com telhados de colmo.
Para turista ver, há um núcleo adaptado a lojas de artesanato e de lembranças.
No entanto, a riqueza da região está no seu ecossistema, que valeu, em 2011, a distinção de “Reserva da Biosfera” pela UNESCO.
Também se vê, muita agricultura, mesmo em recantos muito pequenos ou quase inacessíveis... o mercado despertou a minha curiosidade pela variedade de maracujá e pelo "festival" de cheiros, da fruta e dos vegetais, até as cenouras pareciam diferentes.
O almoço na Quinta do Furão, foi como uma nódoa a cair no melhor pano. Um filete de espada, em modo rolinho, deitado ao lado de meia banana, numa cama de couve branca, com dois quadradinhos de batata-doce assada... o cozinheiro não provou a comida e a gerência andava distraída ou esqueceu que o cliente é quem paga os ordenados.
O almoço estava uma desilusão, peixe tão mole quanto a banana e sem tempero… sem sabor, sem molho de maracujá, de limão ou azeite. Valeu o pão, muito bom. Nota zero, não recomendo.


Ribeiro Frio
Depois do almoço houve uma paragem em plena floresta Laurissilva. Neste lugar, aparentemente recôndito, bastam alguns minutos para perceber a movimentação de muitos turistas.
Num curto espaço, há diversos pontos de atratividade... o Posto Aquícola das trutas, o miradouro dos Balcões, a floresta Laurissilva, a Levada do Furado e restaurantes com bifes no bolo do caco, a tradicional Poncha e o cortado (café de saco misturado com vinho Madeira).
A floresta húmida Laurissilva, tem na Ilha da Madeira a sua maior expressão. Foi considerada Património da Humanidade, em 1999, pela UNESCO. É composta por loureiros, Barbusano, o Til, o Vinhático, uveira da serra, a urze, fetos, entre outras, que retêm grande parte da água das neblinas, que acaba a circular nas levadas para abastecer a ilha.
É um excelente local para quem ama a natureza e a aventura.
As paisagens são únicas... há sempre qualquer coisa, que falta ver!
Pico do Areeiro
No final de um dia feliz... senti, que estava nas nuvens! Uma visão linda e única.
O frequente nevoeiro, que pode estragar tudo, desta vez (finalmente) ficou uns bons metros mais abaixo.
Estivemos a 1810 metros acima do nível do mar e por cima das nuvens com paisagens naturais deslumbrantes e belas formações rochosas que se projetam no céu, num cenário de "perder a respiração".



Hotel Alto Lido ****
Depois de um dia "em cheio", esperava-nos um alojamento, 5 estrelas, perfeito... foi a cereja no topo do bolo.
Instalações limpas e com muita luz. O quarto era amplo e com vista para o mar, no meu caso.
A ampla sala de refeições, com pequenos-almoços fartos e variados e um Buffet ao jantar, igualmente bom. À noite, na sala de cocktails, a música ao vivo era uma constante.
Os empregados foram atenciosos e profissionais... tenciono voltar.

A Roménia, tal como a Bulgária, são o espetáculo da natureza, com um património natural, rural e cultural invejável, que nos deu a oportunidade de recuar no tempo e de ter vivências diferentes do ocidente, do progresso, do consumismo e da superabundância.
Iniciámos mais um dia na frágil rede de estradas que nos obrigam a atravessar vilas inteiras, a percorrer rios ou a serpentear os Cárpatos.
Começámos o dia na pequena povoação de Biertan para uma visita a uma das mais famosas e belas igrejas fortificadas que domina a paisagem da aldeia e toda a sua antiga estrutura defensiva.
Por uma escadaria de madeira, subimos a colina até à entrada da igreja. O interior estava muito bem preservado, e com um altar único onde se esconde a porta da sacristia, datada de 1515. Tem um prémio internacional na Exposição Mundial de Paris, em 1900, como consequência do seu sistema complicado de fechadura de 19 trancas, ainda a funcionar, e também pela arte das magníficas incrustações na madeira.






No século 12, foram convidados colonos da Saxónia a estabelecerem-se na Transilvânia para desenvolver a região e a proteger dos invasores. Com a experiencia dos colonos, Biertan tornou-se numa cidade importante pelas artes e cultura e pela movimentação das mercadorias. A igreja depois de transformada numa fortaleza com 3 níveis de muralhas, conectadas pelos portões das torres, era a obra-prima do culto, da defesa e da resistência aos invasores e não só, também pela sua dimensão.
Das 6 torres e dos 3 baluartes, foi possível visitar a torre do mausoléu que abriga as pedras esculpidas dos túmulos de bispos e sacerdotes, a torre católica com fragmentos de frescos e uma sala num pequeno espaço, talvez na torre da prisão ou do casamento (não sei), onde havia uma cama individual muito estreita, um utensílio que parecia para a higiene, um prato, uma mesa e um banco, onde os casais desavindos ficavam confinados em terapia conjugal até se conciliarem ou separarem em definitivo. Dizem que funcionava, porque em 300 anos só houve um divórcio. Também há outra leitura, que diz: Se os casais permanecessem na pequena sala muito tempo perdiam as sementeiras e a força do seu trabalho, pelo que o ano seguinte seria, certamente, de muita fome.





O almoço servido na casa do padre local, tornou a refeição mais agradável e diferente do habitual. O rustico esteve sempre presente entre uma comida tradicional, feita só para o grupo, e um vinho local, dito caseiro. No final borraram a pintura toda, primeiro com a sobremesa, um bolo muito seco e de fabrico industrial, e depois com a ausência do Sr. Padre, que todos, ou quase todos, desejavam conhecer… apesar de tudo, nós até eramos as visitas.
Será que a casa e o padre eram uma “treta” do imaginário de alguém?… Só Deus e, certamente, mais alguns cúmplices saberão.

Enquanto seguíamos de autocarro para Sibiu, pensava: Como é possível na minha idade os locais visitados ainda me surpreenderem tanto e com gratas memórias. São momentos, que sabem tão bem.
Cheguei a Sibiu sem grandes expectativas, mas saí de lá conquistado ou cativado por aqueles olhos, das janelas dos sótãos que até parecem estar a olhar curiosos. Aliás, a Transilvânia já pertencia ao meu imaginário literário.

É a terceira maior cidade da Roménia, que escapou em boa parte da destruição provocada pelas grandes guerras e às loucuras de Ceausescu. Organiza-se em torno de três praças, a mais pequena, a pequena e a grande. No entanto, está na cidade alta o centro histórico, onde se encontram a maioria dos monumentos e as atrações urbanas.
Encontrámos, por lá, um ambiente de festa entre igrejas e monumentos e uma grande azáfama na montagem de grandes tendas que estavam a retirar toda a beleza ao espaço público.
A principal e larga artéria pedonal é uma lufada de urbanismo, moderno, onde se destacam gelatarias, restaurantes, muitas esplanadas e lojas de grandes marcas.






Há recantos muito bonitos em Sibiu. Ao fundo da praça “Little Square”, no coração da cidade medieval, está uma ponte prestes a colapsar, quando, um dia, for atravessada por um mentiroso. É a Ponte das Mentiras, carregada de lendas sobre mentirosos e mentirosas. Erguida em 1859, foi a primeira ponte em ferro fundido com pilares.


Ao fim do dia na localidade de Sibiel, diminutivo de Sibiu, ainda houve tempo para um passeio em carruagens puxadas por valentes cavalos, que, juntamente, com um jantar caseiro, de qualidade e de excelentes sabores, preparado por uma família local, foi a cereja no topo do bolo, como se costuma dizer.





Confesso que não imaginava viver tantas emoções nesta viagem, que percorreu a Bulgária e a Roménia. De tudo o que vi, adorei a natureza ainda em estado puro e um mundo rural ainda muito ou totalmente verdadeiro… até a vaca vem sozinha do pasto para se recolher em casa.
Termino as crónicas desta, nossa, viagem com uma merecida referência ao guia Sr. Marian Justin Firinca, um Gentleman e um bom embaixador do seu país, a Roménia. Se um dia precisarem de um guia, este é excelente.
Contatos: Telefones +40771024093 / +40723336804 e Email justinturism@gmail.com
Até Abril de 2020, na India.
Carlos Alberto Santos

Devido à afluência de turistas à localidade de Bran, saímos cedo da cidade de Brasov, a coroa da Transilvânia.
O Castelo de Bran, conhecido pelo Castelo de Drácula, é um monumento nacional e a principal atração turística da Roménia. Foi construído no topo de uma elevação rochosa, rodeado de vegetação, muito compacto e com algumas pequenas janelas, que, no conjunto, tentavam dificultar a entrada de estranhos ou a fuga de prisioneiros, tal como se descreve, desde 1877 na obra de Bram Stocker, o Conde de Drácula e que conduziu à persistência do mito de que este castelo terá sido a residência do Príncipe Vlad Dracul.
Meio século depois, de eu ter lido os contos inspirados vagamente na figura de Vlad Dracul, príncipe da Valáquia, e numa ilustração do castelo, deslumbrei-me com a realidade do interior da construção, das várias salas pouco espaçosas, mas bastante acolhedoras e recatadas de olhares, as passagens secretas, as escadas apertadas que se cruzam com outras em labirinto e que nos levam a alguma desorientação no interior.
Por certo haveria muito mais a visitar, mas o que vimos foi suficientemente convidativo, misterioso e místico para explicar como o Conde de Drácula, o vampiro, era tão rápido a mover-se entre divisões distantes. Apesar do exterior do castelo ser único, quase assombrado e a melhor parte para muitos, eu achei o seu interior imperdível. O facto de a verdadeira história do castelo estar ligada a uma mulher, a Rainha Maria, dá-lhe todo aquele brilho. Era a sua residência cheia de bom gosto interior e não só em mobiliário, tapeçarias e, até roupas.









Pelo que li na obra, a personagem de Drácula não era comparável com Vlad, um herói nacional para os romenos. Enquanto o primeiro matava as suas vítimas ocasionalmente, Vlad, na vida real, dizimava cidades inteiras entre torturas e execuções nas mais diversas formas de crueldade, que chegou ao ponto de beber o sangue dos inimigos.
Não gostei: - Da forma descontrolada da entrada, que rapidamente enche tudo o que são espaços e limita a comunhão com a beleza deste espaço, único.
Depois de um razoável almoço na Taberna Lupilor seguimos viagem para cidade fortificada de Sighisoara, Património Mundial da UNESCO e uma das mais belas cidades medievais da Europa. Casas históricas coloridas, igrejas antigas, ruas de paralelepípedos e a torre do relógio.








Dizem que Vlad Dracul III terá nascido nesta cidade, em 1431, onde viveu até aos quatro anos de idade numa casa situada no centro histórico, hoje um restaurante, onde jantámos. É um local muito concorrido devido às lendas que existem à volta desta figura histórica. No entanto, a qualidade da comida, o atendimento e arejamento da sala não são proporcionais à popularidade. Se puderem escolham outro restaurante.
Carlos Alberto Santos

Outro dia de viagem, com os Cárpatos ao longe, entre estradas estreitas a necessitar de manutenção e uma Roménia ainda a renascer da ruralidade.

O nosso destino era Brasov, uma cidade no centro do país, capital da região da Transilvânia.
Fizemos a nossa primeira paragem em Sinaia, uma cidade e estância de montanha, de férias de Inverno e de Verão. Em certos recantos lembra um pouco de Sintra, quando se vai para o Palácio da Pena. Estava prevista a visita do Palácio de Peles, mas um acidente de trânsito ou obras na estrada obrigaram-nos a uma longa paragem e a perder a nossa hora de entrada.
O Palácio e toda a sua envolvente são de uma beleza enorme, saídos de um conto de fadas, como se costuma dizer, e que não se esquece facilmente. A localização foi escolhida pelo príncipe Carlos, que depois veio a ser Carlos I, o primeiro rei e o fundador da Roménia moderna.







A meio da tarde chegámos ao nosso destino. A vista de Brasov a partir do hotel era fascinante e magnífica, deixando adivinhar um centro histórico medieval. Visitámos belos monumentos arquitetónicos onde se destacou a Igreja Negra, as fortificações, a cidadela, o bairro judeu e a Igreja de São Nicolau.





O nosso guia contou que um grande incêndio destruiu quase toda a cidade. A igreja não escapou ao desastre ficando as suas paredes e tetos para sempre escurecidos, fato ao qual se deve o nome: Igreja Negra.
Abriga o Órgão Buchholz, o maior da Roménia e um dos maiores da Europa, com quase 4000 tubos, onde se tocou música de Bach pela primeira vez na Transilvânia.
Carlos Alberto Santos

Depois de uma lenta passagem, numa fronteira, à moda antiga, entre a Bulgária e a Roménia as paisagens continuavam magníficas e até com muitas ovelhas.
Apesar de ser a Páscoa Ortodoxa e Sexta-feira Santa, aos poucos, comecei a sentir-me mais na Europa, embora num pais cheio de particularidades, talvez originárias de um passado atribulado, ainda muito recente, e do legado de loucuras do ditador Nicolae Ceausescu, até 1989.
A capital, Bucareste, tem edifícios muito bonitos, talvez majestosos, contrastando com prédios normais. Foi uma estadia curta, que deu para conhecer do, muito, que esta cidade tem para oferecer e para motivar uma segunda visita.





Durante uma visita panorâmica, ao fim da tarde, fica-se com a primeira grande impressão: - Estamos numa grande cidade de avenidas largas, limpas e organizadas, vida alegre que nos proporciona bons momentos! Era noite e o dia foi longo e desgastante, precisávamos de um jantar apropriado.
Fomos ao Cara’ Cu Bere (carroça da cerveja), a cervejaria mais antiga e uma verdadeira instituição de Bucareste (130 anos), e na atualidade, também restaurante virado para o turismo onde a decoração do interior vale tudo - janelas e vitrais, mosaicos cerâmicos coloridos, paredes com pinturas bucólicas, colunas em estuque e mármore, madeiras trabalhadas - porque a comida era muito fraca ou tivemos pouca sorte. Salvou-se o papanach a sobremesa típica da Roménia, um bolo com creme de queijo e licor de frutas.
Neste local, passaram nomes famosos, músicos, príncipes e políticos. Pareceu-me que a fama se sobrepõe à qualidade, apesar do esforço dos elementos da música ao vivo e do folclore.




No centro histórico há uma diversidade cultural visível ao nível da sua arquitetura, em que edifícios majestosos dos finais do séc. XVIII e inícios do séc. XIX coexistem com outros mais tradicionais dos Balcãs ou com outros de linhas mais modernas.
No dia seguinte andámos pela Praça da Revolução, onde Ceausescu fez o ultimo discurso e que despoletou o fim do regime. No centro há um estranho monumento, que os romenos apelidam de azeitona num palito, a evocar a revolução e o sangue derramado.



Devido à presidência europeia pela Roménia as visitas, ao segundo maior edifício administrativo do mundo – Parlamento Romeno - a seguir ao Pentágono, tinham sido canceladas por questões de segurança.
Visto ao longe já é qualquer coisa colossal, no entanto, segundo o nosso guia só visto por dentro, 12 pisos, acima do solo, com 1100 salões e mais 4 pisos e um bunker anti nuclear no subsolo. Em frente, foi construída uma grande avenida a Unirii numa tentativa de concorrer com os Campos Elísios. Este conjunto louco, palácio e avenida, afetou uma área com cerca de 60 hectares, a zona histórica, realojamento de milhares de pessoas, demolição bairros e igrejas centenárias e a deslocação de outras que acabaram por ficar escondidas por edifícios novos muito mais altos.




Bucareste também tem um Arco do Triunfo, que é quase parecido com o parisiense.

Carlos Alberto Santos

Veliko Tarnovo é uma das comunidades mais antigas da Bulgária. A primeira presença humana foi descoberta na colina de Trapezitsa com 3000 anos a.C.
Está numa região muito bela na cordilheira dos Balcãs. Encontrámos um intenso trabalho de preservação do passado entre monumentos e acessos.
Uma muito boa experiencia e uma grata surpresa cultural entre fortalezas, palácios e igrejas.
A geografia do local também é impressionante, porque a grande colina fica cercada pelo rio. Quem levou a capital medieval da Bulgária para ali, sabia, muito bem, o que fazia.












ETAR - Museu Etnográfico ao vivo em Gabrovo, é um conjunto espantoso de outros tempos, onde a maquinaria ainda trabalha pela força da água como costumava ser no passado. Vimos uma coleção viva de instalações com moinhos de lavar roupa, moinhos de farinha, uma roda de moagem, entre outros.




Na breve paragem na vila de Skobelevo ficámos a saber que as pétalas das grandes plantações de rosas é o ouro líquido que cresce na Bulgaria. É exportado para todo o mundo para perfumarias ou laboratórios e também para os hospitais como desinfetante em cirurgias. Localmente, foi possível provar um brandy de rosas.



Carlos Alberto Santos