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As nossas viagens. Ex-Militares da Companhia 3485 e Amigos.

QUEM GOSTA VEM… QUEM AMA FICA.

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QUEM GOSTA VEM… QUEM AMA FICA.

Roménia, Biertan, Sibiu, Sibiel - Abril 2019

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A Roménia, tal como a Bulgária, são o espetáculo da natureza, com um património natural, rural e cultural invejável, que nos deu a oportunidade de recuar no tempo e de ter vivências diferentes do ocidente, do progresso, do consumismo e da superabundância.

Iniciámos mais um dia na frágil rede de estradas que nos obrigam a atravessar vilas inteiras, a percorrer rios ou a serpentear os Cárpatos.

Começámos o dia na pequena povoação de Biertan para uma visita a uma das mais famosas e belas igrejas fortificadas que domina a paisagem da aldeia e toda a sua antiga estrutura defensiva.

Por uma escadaria de madeira, subimos a colina até à entrada da igreja. O interior estava muito bem preservado, e com um altar único onde se esconde a porta da sacristia, datada de 1515. Tem um prémio internacional na Exposição Mundial de Paris, em 1900, como consequência do seu sistema complicado de fechadura de 19 trancas, ainda a funcionar, e também pela arte das magníficas incrustações na madeira.

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No século 12, foram convidados colonos da Saxónia a estabelecerem-se na Transilvânia para desenvolver a região e a proteger dos invasores. Com a experiencia dos colonos, Biertan tornou-se numa cidade importante pelas artes e cultura e pela movimentação das mercadorias. A igreja depois de transformada numa fortaleza com 3 níveis de muralhas, conectadas pelos portões das torres, era a obra-prima do culto, da defesa e da resistência aos invasores e não só, também pela sua dimensão.

 

Das 6 torres e dos 3 baluartes, foi possível visitar a torre do mausoléu que abriga as pedras esculpidas dos túmulos de bispos e sacerdotes, a torre católica com fragmentos de frescos e uma sala num pequeno espaço, talvez na torre da prisão ou do casamento (não sei), onde havia uma cama individual muito estreita, um utensílio que parecia para a higiene, um prato, uma mesa e um banco, onde os casais desavindos ficavam confinados em terapia conjugal até se conciliarem ou separarem em definitivo. Dizem que funcionava, porque em 300 anos só houve um divórcio. Também há outra leitura, que diz: Se os casais permanecessem na pequena sala muito tempo perdiam as sementeiras e a força do seu trabalho, pelo que o ano seguinte seria, certamente, de muita fome.

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O almoço servido na casa do padre local, tornou a refeição mais agradável e diferente do habitual. O rustico esteve sempre presente entre uma comida tradicional, feita só para o grupo, e um vinho local, dito caseiro. No final borraram a pintura toda, primeiro com a sobremesa, um bolo muito seco e de fabrico industrial, e depois com a ausência do Sr. Padre, que todos, ou quase todos, desejavam conhecer… apesar de tudo, nós até eramos as visitas.

Será que a casa e o padre eram uma “treta” do imaginário de alguém?… Só Deus e, certamente, mais alguns cúmplices saberão.

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Enquanto seguíamos de autocarro para Sibiu, pensava: Como é possível na minha idade os locais visitados ainda me surpreenderem tanto e com gratas memórias. São momentos, que sabem tão bem.

Cheguei a Sibiu sem grandes expectativas, mas saí de lá conquistado ou cativado por aqueles olhos, das janelas dos sótãos que até parecem estar a olhar curiosos. Aliás, a Transilvânia já pertencia ao meu imaginário literário.

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É a terceira maior cidade da Roménia, que escapou em boa parte da destruição provocada pelas grandes guerras e às loucuras de Ceausescu. Organiza-se em torno de três praças, a mais pequena, a pequena e a grande. No entanto, está na cidade alta o centro histórico, onde se encontram a maioria dos monumentos e as atrações urbanas.

Encontrámos, por lá, um ambiente de festa entre igrejas e monumentos e uma grande azáfama na montagem de grandes tendas que estavam a retirar toda a beleza ao espaço público.

A principal e larga artéria pedonal é uma lufada de urbanismo, moderno, onde se destacam gelatarias, restaurantes, muitas esplanadas e lojas de grandes marcas.

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Há recantos muito bonitos em Sibiu. Ao fundo da praça “Little Square”, no coração da cidade medieval, está uma ponte prestes a colapsar, quando, um dia, for atravessada por um mentiroso. É a Ponte das Mentiras, carregada de lendas sobre mentirosos e mentirosas. Erguida em 1859, foi a primeira ponte em ferro fundido com pilares.

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Ao fim do dia na localidade de Sibiel, diminutivo de Sibiu, ainda houve tempo para um passeio em carruagens puxadas por valentes cavalos, que, juntamente, com um jantar caseiro, de qualidade e de excelentes sabores, preparado por uma família local, foi a cereja no topo do bolo, como se costuma dizer.

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Confesso que não imaginava viver tantas emoções nesta viagem, que percorreu a Bulgária e a Roménia. De tudo o que vi, adorei a natureza ainda em estado puro e um mundo rural ainda muito ou totalmente verdadeiro… até a vaca vem sozinha do pasto para se recolher em casa.

Termino as crónicas desta, nossa, viagem com uma merecida referência ao guia Sr. Marian Justin Firinca, um Gentleman e um bom embaixador do seu país, a Roménia. Se um dia precisarem de um guia, este é excelente.

Contatos: Telefones +40771024093 / +40723336804 e Email justinturism@gmail.com

 

Até Abril de 2020, na India.

 

Carlos Alberto Santos

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Roménia, Bran, Castelo de Drácula e Sighisoara - Abril 2019

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Devido à afluência de turistas à localidade de Bran, saímos cedo da cidade de Brasov, a coroa da Transilvânia.

O Castelo de Bran, conhecido pelo Castelo de Drácula, é um monumento nacional e a principal atração turística da Roménia. Foi construído no topo de uma elevação rochosa, rodeado de vegetação, muito compacto e com algumas pequenas janelas, que, no conjunto, tentavam dificultar a entrada de estranhos ou a fuga de prisioneiros, tal como se descreve, desde 1877 na obra de Bram Stocker, o Conde de Drácula e que conduziu à persistência do mito de que este castelo terá sido a residência do Príncipe Vlad Dracul.

Meio século depois, de eu ter lido os contos inspirados vagamente na figura de Vlad Dracul, príncipe da Valáquia, e numa ilustração do castelo, deslumbrei-me com a realidade do interior da construção, das várias salas pouco espaçosas, mas bastante acolhedoras e recatadas de olhares, as passagens secretas, as escadas apertadas que se cruzam com outras em labirinto e que nos levam a alguma desorientação no interior.

Por certo haveria muito mais a visitar, mas o que vimos foi suficientemente convidativo, misterioso e místico para explicar como o Conde de Drácula, o vampiro, era tão rápido a mover-se entre divisões distantes. Apesar do exterior do castelo ser único, quase assombrado e a melhor parte para muitos, eu achei o seu interior imperdível. O facto de a verdadeira história do castelo estar ligada a uma mulher, a Rainha Maria, dá-lhe todo aquele brilho. Era a sua residência cheia de bom gosto interior e não só em mobiliário, tapeçarias e, até roupas.

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Pelo que li na obra, a personagem de Drácula não era comparável com Vlad, um herói nacional para os romenos. Enquanto o primeiro matava as suas vítimas ocasionalmente, Vlad, na vida real, dizimava cidades inteiras entre torturas e execuções nas mais diversas formas de crueldade, que chegou ao ponto de beber o sangue dos inimigos.

Não gostei: - Da forma descontrolada da entrada, que rapidamente enche tudo o que são espaços e limita a comunhão com a beleza deste espaço, único.

 

Depois de um razoável almoço na Taberna Lupilor seguimos viagem para cidade fortificada de Sighisoara, Património Mundial da UNESCO e uma das mais belas cidades medievais da Europa. Casas históricas coloridas, igrejas antigas, ruas de paralelepípedos e a torre do relógio.

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Dizem que Vlad Dracul III terá nascido nesta cidade, em 1431, onde viveu até aos quatro anos de idade numa casa situada no centro histórico, hoje um restaurante, onde jantámos. É um local muito concorrido devido às lendas que existem à volta desta figura histórica. No entanto, a qualidade da comida, o atendimento e arejamento da sala não são proporcionais à popularidade. Se puderem escolham outro restaurante.

 

Carlos Alberto Santos

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Roménia, Sinaia e Brasov - Abril 2019

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Outro dia de viagem, com os Cárpatos ao longe, entre estradas estreitas a necessitar de manutenção e uma Roménia ainda a renascer da ruralidade.

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O nosso destino era Brasov, uma cidade no centro do país, capital da região da Transilvânia.

Fizemos a nossa primeira paragem em Sinaia, uma cidade e estância de montanha, de férias de Inverno e de Verão. Em certos recantos lembra um pouco de Sintra, quando se vai para o Palácio da Pena. Estava prevista a visita do Palácio de Peles, mas um acidente de trânsito ou obras na estrada obrigaram-nos a uma longa paragem e a perder a nossa hora de entrada.

O Palácio e toda a sua envolvente são de uma beleza enorme, saídos de um conto de fadas, como se costuma dizer, e que não se esquece facilmente. A localização foi escolhida pelo príncipe Carlos, que depois veio a ser Carlos I, o primeiro rei e o fundador da Roménia moderna.

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A meio da tarde chegámos ao nosso destino. A vista de Brasov a partir do hotel era fascinante e magnífica, deixando adivinhar um centro histórico medieval. Visitámos belos monumentos arquitetónicos onde se destacou a Igreja Negra, as fortificações, a cidadela, o bairro judeu e a Igreja de São Nicolau.

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O nosso guia contou que um grande incêndio destruiu quase toda a cidade. A igreja não escapou ao desastre ficando as suas paredes e tetos para sempre escurecidos, fato ao qual se deve o nome: Igreja Negra.

Abriga o Órgão Buchholz, o maior da Roménia e um dos maiores da Europa, com quase 4000 tubos, onde se tocou música de Bach pela primeira vez na Transilvânia.

 

Carlos Alberto Santos

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Roménia, Bucareste - Abril 2019

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Depois de uma lenta passagem, numa fronteira, à moda antiga, entre a Bulgária e a Roménia as paisagens continuavam magníficas e até com muitas ovelhas.

Apesar de ser a Páscoa Ortodoxa e Sexta-feira Santa, aos poucos, comecei a sentir-me mais na Europa, embora num pais cheio de particularidades, talvez originárias de um passado atribulado, ainda muito recente, e do legado de loucuras do ditador Nicolae Ceausescu, até 1989.

A capital, Bucareste, tem edifícios muito bonitos, talvez majestosos, contrastando com prédios normais. Foi uma estadia curta, que deu para conhecer do, muito, que esta cidade tem para oferecer e para motivar uma segunda visita.

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Durante uma visita panorâmica, ao fim da tarde, fica-se com a primeira grande impressão: - Estamos numa grande cidade de avenidas largas, limpas e organizadas, vida alegre que nos proporciona bons momentos! Era noite e o dia foi longo e desgastante, precisávamos de um jantar apropriado.

Fomos ao Cara’ Cu Bere (carroça da cerveja), a cervejaria mais antiga e uma verdadeira instituição de Bucareste (130 anos), e na atualidade, também restaurante virado para o turismo onde a decoração do interior vale tudo - janelas e vitrais, mosaicos cerâmicos coloridos, paredes com pinturas bucólicas, colunas em estuque e mármore, madeiras trabalhadas - porque a comida era muito fraca ou tivemos pouca sorte. Salvou-se o papanach a sobremesa típica da Roménia, um bolo com creme de queijo e licor de frutas.

Neste local, passaram nomes famosos, músicos, príncipes e políticos. Pareceu-me que a fama se sobrepõe à qualidade, apesar do esforço dos elementos da música ao vivo e do folclore.

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No centro histórico há uma diversidade cultural visível ao nível da sua arquitetura, em que edifícios majestosos dos finais do séc. XVIII e inícios do séc. XIX coexistem com outros mais tradicionais dos Balcãs ou com outros de linhas mais modernas.

No dia seguinte andámos pela Praça da Revolução, onde Ceausescu fez o ultimo discurso e que despoletou o fim do regime. No centro há um estranho monumento, que os romenos apelidam de azeitona num palito, a evocar a revolução e o sangue derramado.

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Devido à presidência europeia pela Roménia as visitas, ao segundo maior edifício administrativo do mundo – Parlamento Romeno - a seguir ao Pentágono, tinham sido canceladas por questões de segurança.

Visto ao longe já é qualquer coisa colossal, no entanto, segundo o nosso guia só visto por dentro, 12 pisos, acima do solo, com 1100 salões e mais 4 pisos e um bunker anti nuclear no subsolo. Em frente, foi construída uma grande avenida a Unirii numa tentativa de concorrer com os Campos Elísios. Este conjunto louco, palácio e avenida, afetou uma área com cerca de 60 hectares, a zona histórica, realojamento de milhares de pessoas, demolição bairros e igrejas centenárias e a deslocação de outras que acabaram por ficar escondidas por edifícios novos muito mais altos.

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Bucareste também tem um Arco do Triunfo, que é quase parecido com o parisiense.

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Carlos Alberto Santos

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